05 junho 2008

O Gigante de pé

Tempós atrás terminei de ler o livro J.K. - Caminhos do Brasil. É um livro espírita, escrito pelo Médium Woyne Figner Sacchetin e inspirado pelo espírito de Juscelino Kubitscheck.
O livro enfoca a história de um família que migra da Paraíba para Brasília, na época da construção da nova capital mas não fica apenas neste enredo. Entre outros, vai contando aos poucos sobre a construção da cidade, seus triunfos, percalços, ousadias, valentias e perdas.
Uma perda lastimável naquela época foi a de Bernado Sayão, um dos desbravadores do nosso país. Tocou-me a capacidade de liderança dele mesmo gravemente ferido, após o acidente que vitimou, nas obras de construção da rodovida Belém-Brasília.
Transcrevo este trecho do livro:
"No dia 15 de janeiro de 1959, faltando apenas trinta quilômetros para as duas frentes se encontrarem, a galharia fazia um barulho ensurdecedor, se retorcendo, caindo, se quebrando. Numa barraca de lona, três homens, com mapas estendidos sobre troncos, formando mesas redondas, concentrados nos planos, se distraíram à aproximação das máquinas que, às vezes, por causa da selva densa, se desviavam das picadas e derrubavam árvores além da faixa prevista. A barraca dos técnicos estava onde seria a margem da rodovia. Os engenheiros Gilberto Salgueiro e Jorge Dias saíram para conferir uma informação e logo escutaram: -Corre da barraca, cuidadu, a árvore vai caí, corri, genti [sic].
[...]
Depois, de longos minutos, sangrando abundantemente na perna esquerda, roupas rasgadas, mostrando ossos em fratura exposta, o ombro quase arrancado, o braço esquerdo decepado, com hemorragia abundante, a cabeça com o couro cabeludo dependurado junto ao ombro direito, apareceu Bernado Sayão. Ele, gigantesco, forte e calmo, com autocontrole admirável, saiu dos escombros. O comandante Sayão caminhou mancando, sangrando, com olhar de absoluta calma. O mateiro que gritou alertando-os tentou ampará-lo, mas não sabia o que fazer. Sayão, eterno líder, resoluto, deu-lhe ordens:
-Pegue uma tira de lona e amarre o coto do braço esquerdo. Agora, com outra, a perna esquerda. Deite-me ali, sobre a lona. As máquinas têm que continuar trabalhando. Fale ao tratorista desviar para esquerda. Mande avisar o que aconteceu. Cuide do engenheiro Jorge Dias também. Levante agora o couro cabeludo e passe, ao redor da minha cabeça, tiras da manga da minha camisa e aperta-as. Mantenha a calma. Estou com muita sede. Dê-me água para beber."
Acho que é inevitável tirar proveito de alguma coisa com este acontecimento...

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